A Rapariga com a Tatuagem de Dragão – Stieg Larsson

É conhecido em quase todo o mundo como A Rapariga com a Tatuagem de Dragão mas quando foi lançado em 2005, Stieg Larsson nomeou-o ”Män som hatar kvinnor”: Homens que Odeiam Mulheres, no sueco original.
É uma obra em que o mistério do desaparecimento da sobrinha-neta de Henrik Vanger leva o ancião a uma existência amargurada, obcecado pela incapacidade de descobrir que fado caiu sobre a jovem que via como filha.
É ao antecipar o fim de vida, devido à idade avançada, que decide fazer um último esforço, o derradeiro investimento na procura da verdade que o atormenta há 36 anos, na esperança de conseguir encontrar a centelha de luz que escapara a todas as investigações que o próprio, e a polícia, fizeram ao longo de décadas.
Põe, para isso, fé na capacidade inquisitiva de Mikael Blomkvist, jornalista recentemente caído em desgraça, que contrata para descobrir o que acontecera à jovem Harriet.
Seguimos, portanto, Mikael nas profundezas da Suécia rural durante o seu sinuoso trabalho investigativo, enquanto mergulha fundo no drama familiar dos Vanger, e tenta resolver as causas, detalhes e desfecho de um desaparecimento que marcou mais vidas do que qualquer dos envolvidos tem consciência.
Em paralelo, acompanhamos o trágico percurso de Lisbeth Salander, investigadora privada para uma empresa de serviços de segurança, e A rapariga com a tatuagem de dragão.
Sem mais vos desvendar do enredo, digo-vos que a leveza da escrita e a simplicidade com que Stieg Larsson nos faz navegar paisagens emocionais complexas, contrastam fortemente com o peso dos temas abordados, como rapto, violação, corrupção, psicopatias várias e os direitos legais de pessoas com deficiência.
A experiência é rica e, se forem como eu, vão passar as páginas a fazer as vossas próprias teorias sobre quem é responsável, quais os motivos, o que realmente aconteceu e como, e… a falhar redondamente a maior parte das vezes.
Não sendo um livro curto, a edição que li tem 439 páginas, a história prende-nos de início ao fim, e certamente agradará a fãs de mistério e investigação criminal.
Uma grande leitura para este início de Outono!

P.S.: A Rapariga com a Tatuagem de Dragão inspirou dois filmes homónimos: o primeiro realizado pelo dinamarquês Niels Arden Oplev, em 2009, com Michael Nyqvist e Noomi Rapace como Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander e, o segundo, realizado pelo americano David Fincher, em 2011, com Daniel Craig e Rooney Mara na pele dos protagonistas já referenciados. Abaixo, partilho o trailer de ambos.

