Para Além do Planeta Silencioso – C.S. Lewis

A minha recente viagem pela saga e mundo de Nárnia, despertou-me a curiosidade por outras obras de C.S. Lewis, personalidade assaz curiosa não só pelo seu trabalho académico e educacional na área da literatura, história e filologia, mas também pela relação de amizade e companheirismo literário que partilhou com John Tolkien, figura maior da literatura fantástica.
Da sua considerável bibliografia, por entre crónicas, ensaios e poesia, chamou-me à atenção “A Trilogia Cósmica” (The Space Trilogy, no inglês original), série de ficção científica, do qual este livro é o primeiro volume, lançado em 1938.
Para Além do Planeta Silencioso combina aventura, mistério, ficção científica e fantasia numa história interessante e de boa leitura. É de tamanho modesto, a edição que li tinha 167 páginas, e cativante o suficiente para se ler num tirinho.
Neste livro acompanhamos o Dr. Elwin Ransom durante as suas férias, subitamente interrompidas por um erro de cálculo e um pedido de ajuda.
Fica feito o alerta para os que gostam de passear, durante o ameno verão, pela ruralidade inglesa que, a boa vontade e conveniência que levaram Ransom a fazer um pequeno desvio, deram origem a rapto, viagem a marte, e a uma tremenda dor de cabeça.
Se vos acontecer a vocês, não foi por falta de aviso.
Assim, depois de uma experiência, no mínimo exótica, Ransom acorda no espaço sideral, a caminho de Marte, raptado por dois homens que o querem oferecer como sacrifício a uma das espécies nativas: os Sorns, criaturas humanóides, inteligentes, de estatura gigantesca e membros desmesuradamente longos.
Na sequência de uma aterragem atribulada, consegue escapar aos seus captores, apenas para se ver perdido e perseguido na paisagem alienígena, sem saber para onde ir ou como sobreviver.
Vale-lhe um encontro fortuito com outra criatura local, a quem, por entre espanto e surpresa, Ransom descobre sapiência e disposição amigável.
Estes felpudos e prestáveis marcianos: os Hross, adoptam Ransom, ensinando-lhe não só a sua língua, mas também as peculiaridades do ecossistema que habitam, dando ao involuntário cosmonauta uma ideia, não só da organização da sua sociedade e espécie, mas também das dinâmicas entre as várias espécies marcianas, o que as une e diferencia.

Para mim, que tendo a apreciar variedade cultural e biológica, a construção narrativa das várias espécies que habitam Marte (ou Malacandra, na língua nativa), as suas interações e o impacto que a chegada dos humanos tem nas normais dinâmicas marcianas, são o pináculo desta breve história que está ao nível do melhor que li de C.S. Lewis.
Os detalhes e desfecho da aventura fica para quem for afoito o suficiente para os descobrir, sendo certo que em Malacandra encontrarão paisagens e criaturas pouco comuns no vasto universo de imaginação e criatividade literária.
Desfrutem e boas leituras!
P.S.: A banda de Metal Iron Maiden, tem uma música “Out of the Silent Planet”, cujo o título é precisamente o nome da obra de Lewis. Além da mesma, partilho convosco o audiobook.

