Perelandra – C.S. Lewis

Depois da visita a Marte, em Para Além do Planeta Silencioso, o segundo livro desta saga leva-nos a Vénus, onde o Dr. Ransom vai em viagem (desta vez de modo voluntário) a pedido do Oyarsa de Malacandra.
Em Vénus, ou Perelandra, Ransom encontra uma realidade muito diferente da que viveu nas paisagens marcianas.
O segundo calhau a contar do sol é, nesta obra de C.S. Lewis, um planeta maioritariamente aquático, onde ilhas móveis e flexíveis ondulam ao sabor do vento e das marés, em permanente deriva num oceano global.
Quando digo que ondulam, não estou a usar metáfora ou eufemismo. As ilhas, sobem e descem como jangada sobre o mar no qual assentam, sendo a sua tipografia tão mutável que caminhar se torna um permanente exercício de destreza e equilíbrio.
Apesar da exoticidade do ecossistema, floresce vida nestas ilhas, vegetal e animal, ainda que não dotada de inteligência e capacidades de comunicação, como Ransom encontrou em Marte, e como esperava encontrar em Vénus.
Quem Ransom não contava encontrar em lado nenhum, creio, menos ainda num planeta para o qual foi transportado por tecnologia alienígena, é Weston, um dos seus raptores do livro passado.
Assim, ficam reunidas as condições para um agradável convívio.
A esta alegre confraternização junta-se a rainha de Perelandra, um de dois seres em muito semelhante a humanos, à excepção da pele de cor verde, que habitam o planeta.
Sem desvendar o enredo digo-vos que, como o livro anterior, este segundo volume da Trilogia Cósmica é um bom exemplo da capacidade do autor de escrever aventura, criar mundos novos com dinâmicas, culturas e biomas verosímeis, interessantes e imersivos.
Não tendo a variedade biológica e cultural que Lewis concedeu a Marte, Perelandra brilha através da sua geologia ímpar e dos meios pelos quais a vida tem que se adaptar para prosperar.
É, comparativamente a Para Além do Planeta Silencioso, um livro substancialmente mais carregado de mensagem filosófica e religiosa, apesar de não ser um livro volumoso.
Em todo o caso, e para quem gosta de ir dar uns mergulhos, Perelandra não parece mau destino.
Ouvi dizer que a Easy Jet voa para lá às 4ªs.
Boas leituras!

P.S.: Para quem prefere, deixo a abaixo um audiobook desta obra, na língua original.

