As Crónicas de Nárnia: O Sobrinho do Mágico – C.S. Lewis

“O Sobrinho do Mágico” (1955) é o sexto livro da coleção “As Crónicas de Nárnia”, e a segunda prequela.
Todavia, esta é única, por nos apresentar a criação deste mundo encantado. Ao contrário de “O Cavalo e o Seu Rapaz”, entalado cronologicamente entre o primeiro e o segundo livro da saga, O Sobrinho do Mágico faz-nos viajar além dos confins do tempo, até aos primórdios de Nárnia.
C.S. Lewis providencia um guia, velho conhecido, e desta feita acompanhamos Digory Kirke, previamente conhecido como “O Professor”, em “O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa”, e a sua amiga Polly Plummer.
Claro que Digory não é ainda o homem que recebe os irmãos Pevensie nas férias de verão, mas um garoto de 12 anos. Corria o ano de graça de 1900 d.C. sobre a cidade de Londres.
Durante uma insuspeita tarde dedicada à exploração de quintais, sótãos e telhados, Digory e Polly encontram um acesso desconhecido para um escritório. Vêm mais tarde a descobrir, ser do instável tio Andrew, com fama de louco.
Louco ou não, o tio Andrew tinha na sua posse par de anéis mágicos, capazes de transportarem para outros mundos quem os usasse.
Está lançada a semente da fantasia e curiosidade, e não é preciso muito para que os jovens pululem entre mundos até às ruínas desoladas de Charn.
A cidade onde se encontram não tem vivalma, mas não é deserta. Habitam-na as estátuas dos antigos reis e rainhas deste mundo sem vida.
Inconscientes das consequências dos seus actos, as crianças despertam acidentalmente a tirana Jadis, última da linhagem real que, face à eminente derrota numa guerra civil travada para derrubar o seu governo despótico, preferiu matar todo e qualquer ser vivo em Charn.
Infelizmente para Digory e Polly, a fuga e o regresso a Londres não correm de feição, e acabam por trazer uma maga homicida para a Terra, a qual esta se dispõe a conquistar de imediato, escravizando o tio Andrew pelo caminho.
A situação rapidamente se descontrola e a um assalto a uma joalharia e uma perseguição policial a cavalo, segue-se uma pequena batalha campal, envolvendo não menos que uma alienígena com intentos imperialistas, a polícia, um taxista e o seu cavalo, um, por demais famoso, candeeiro, os miúdos, o tio louco e dúzias de transeuntes que tentavam ter um dia normal na capital inglesa.
Numa tentativa de controlar a catástrofe, Digory e Polly viram-se a usar os anéis, transportando para outro mundo, além dos próprios, a feiticeira (como pretendiam), o tio, o taxista, o cavalo e até o que sobrava do molestado candeeiro (inadvertidamente).
Este grupo improvável testemunha assim a criação de Nárnia, a partir do vazio, por Aslan, que canta a existência do novo mundo e dos seus habitantes.
Jadis nunca mais deixaria este mundo, tornando-se na feiticeira que aterroriza Nárnia no primeiro livro, mais de um milénio após os eventos narrados em “O Sobrinho do Mágico”.
Sua vileza real não é a única do grupo que viverá o resto dos seus dias em Nárnia, mas Digory e Polly regressam são e salvos, ainda que não mais os mesmos.
Afinal, um novo mundo fora criado, e ainda que nunca mais lá tenham voltado, receberiam novas dessa terra só acessível através de magia ou da maior das necessidades.

P.S.: Partilho o link para a adaptação televisiva feita pela BBC em 2003 e para o livro em formato áudio (para quem preferir ouvir a ler). A Netflix está a desenvolver uma adaptação cinematográfica, calendarizada para estrear em Novembro deste ano (2026).

