
O mês de Maio terminou em grande com uma aventura pelo centro do país! Na companhia do compincha Roberto Leandro e de um Volkswagen Golf vermelho que deixou meter a primeira à primeira, pela última vez em Novembro de 1991, galguei serra e floresta e fui desembocar no Miscellanea – Festival Literário de Pedrógão Grande. ![]()
Lá, fomos estrear “As Formas da Poesia”, tertúlia que é, ela própria, uma mixórdia de artes e histórias que, tocadas pela Poesia, nunca mais foram as mesmas (como nós, por isso é que estamos todos estragados dos ossos).
Claro que, ainda as nádegas não tinham retomado o formato habitual, depois das horas de viagem, e já nos estavam a dar a provar uma pomada local que, garante quem sabe, dá saúde a toda a gente, menos aos bichos que nos querem pegar a gripe.
A mim não me pegaram nada, e de certeza que foi do copázio de vinho que era de detrás da orelha. ![]()
Para nossa felicidade, o Roberto que padecia de tubercobronquisse reencontrou os pulmões, curou-se da tosse e recuperou a voz, ao ponto de ter passado o fim-de-semana a cantar. Parecia a Branca de Neve, a passarada não o largava e até as raposas se jogavam à estrada para ficarem a admirar o efeito de tão milagrosa poção.
Quem também nos disse que gostou foram as boas gentes de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pera que nos receberam com uma amabilidade sem par (e houve até quem fizesse o combo e nos visse 2 vezes no mesmo dia, em 2 concelhos distintos). Isto é malta muita rija! ![]()
De manhã, em Pedrógão, ocupámos a, muito animada, esplanada do Café Central onde, por muito pouco, nos livrámos de apanhar umas bengaladas (e eram bem merecidas). Apesar de tudo, cantou-se, declamou-se, representou-se, riu-se e chorou-se, não só a rir, que houve até espaço para que nos comovêssemos. Saímos de coração cheio e com um sorriso no rosto.

Por que é uma das mais icónicas infraestruturas horizontais do nosso país, celebrada, e bem, em Pedrógão, fomos ainda visitar o espaço que na vila é dedicado à mítica Estrada Nacional 2, que liga Chaves a Faro e que atravessa o concelho de Pedrógão Grande, entre outras localidades, em Picha e Venda da Gaita.
De assinalar também, e sem vergonha vos digo, que aproveitei e resolvi uma situação de que padecia na minha vida, que se prendia com ter quase 40 anos e nunca ter ido comer à Picha.
Cauteloso que sou, inquiri familiares e amigos mais experientes e, como em tudo, houve opiniões discordantes: havia quem gostasse muito, quem não apreciasse particularmente e quem não tivesse opinião formada por, como eu, não ter ainda experimentado as iguarias da Picha.
Na companhia, no mínimo exótica, do Roberto e da Princesinha do Nordeste (o VW vermelho), subi à cumeeira da Picha e lá do Alto almocei valentemente, com uma vista tremenda para a Serra da Lousã que, a par da gastronomia e da simpatia, não podia recomendar mais.
Vivendo e aprendendo.
À noite, migrámos para o concelho vizinho de Castanheira de Pêra, aonde chegámos pouco depois de termos passado à beira do Açude dos Rapos que, dos açudes de que tenho conhecimento, é dos que detém melhor nome.
Em Castanheira esperava-nos não só o fantástico auditório da Praça da Notabilidade, como uma das equipas técnicas mais entusiastas e amáveis que tivemos a felicidade de encontrar!

O vento que soprava da serra não arrefeceu os ânimos, e de novo se fez paródia, entre teatro, música, humor, amor, escárnio e muito maldizer, e nem amendoins com sabor a poesia faltaram, vá-se lá ver tal coisa.
Regressámos a sul cheios de gratidão pela forma como fomos recebidos e acarinhados pelo público, equipas técnicas e pelos executivos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pêra, assim como pela organização dos Miscellanea, que nos convidaram a apresentar este par de espectáculos.
Muito obrigado a todos! Esperamos voltar em breve! ![]()
![]()

