Rumo a Belém: André Pestana, o sindicalista que leva a voz dos profissionais da educação à Presidência

André Pestana é filho da cidade de Coimbra, onde nasceu em 1977. Formou-se em Biologia, pela Universidade de Coimbra, tendo-se mais tarde doutorado na mesma área, pela antiga Universidade Técnica de Lisboa (hoje Universidade de Lisboa).
Iniciou em 2001 uma carreira de docente do ensino secundário e é, desde então, essa a sua actividade profissional.
É também sindicalista, fundador do S.TO.P. – Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (2018), fazendo parte da sua direção.
A trajetória de Pestana não se dá através de carreiras partidárias tradicionais, mas através de movimentos sociais, lutas sindicais e ativismo cívico. Passou pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo Bloco de Esquerda (BE) e mais tarde pelo Movimento Alternativa Socialista (MAS), tendo interrompido em 2023 a sua militância partidária.
A sua presença pública ganhou projeção nacional especialmente durante as greves e lutas na educação em 2022/2023, nas quais se tornou um dos rostos mais visíveis dos protestos reivindicativos que juntaram professores, assistentes e outros trabalhadores da educação em ações prolongadas por melhores condições laborais e valorização da educação pública.
Pestana concorre sob o lema “é hora de abrir a pestana”, e a sua candidatura teve a formalização no Tribunal Constitucional com cerca de 8 000 assinaturas, cumprindo o requisito mínimo definido para eleições presidenciais.
Tem afirmado que se apresenta “a favor dos trabalhadores, para os trabalhadores”, reivindicando que o Presidente da República deve estar “ao lado das populações que estão a sofrer com grandes sacrifícios” e denunciando desigualdades que identifica como características de um “país a duas velocidades”.
Em entrevistas, Pestana tem criticado o que considera serem privilégios a sectores da sociedade e grandes subsídios a partidos políticos, e defende que o Presidente deve usar a sua magistratura de influência para valorizar a igualdade, a justiça social e o bem-estar coletivo.
André Pestana recusa rotular a sua candidatura nas categorias tradicionais de esquerda ou direita, afirmando querer uma postura centrada nos interesses dos trabalhadores e na defesa dos serviços públicos essenciais.

Quanto ao que defende, faz bandeira da sua oposição aos subsídios (e demais ajudas de custo) atribuídos aos partidos políticos que, em 2025, custaram aos cofres do Estado mais de 20 milhões de euros; o apoio aos serviços de estado, entre eles o SNS e a Educação pública, acessível a todos os cidadãos e o combate às desigualdades económicas, nomeadamente através do tabelamento (mínimo e máximo) de reformas e pensões, e do estabelecimento de um salário máximo nacional.
Além dos supracitados, fazem parte do seu programa de candidatura, entre outros:
– A redução da idade de reforma: reforma aos 62 anos ou com 40 anos de descontos;
– Apoio à maternidade e paternidade: Abono de 400 euros mensais para o 1º escalão, até aos 6 anos de idade;
– Direito à habitação: Habitação social com rendas acessíveis para todos, tabeladas a um máximo de 30% de taxa de esforço, face aos respetivos salários/rendimentos;
– Contra o aumento das propinas no ensino: Cumprir o artigo 74.º da nossa Constituição: “Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino”;
– Aumento dos rendimentos: Aumento geral de salários e pensões, rumo ao salário médio de 2000 euros. Atualização automática de salários à taxa da inflação;
– Corte de privilégios de políticos e administradores: Fim das reformas milionárias e pensões políticas vitalícias (quer as provenientes de cargos políticos, quer as de administradores de empresas) e fim das subvenções aos partidos;
– Uma política integradora na emigração;
– Fim do financiamento militar para conflitos armados;
– Financiamento da Cultura: Defender o patamar mínimo de investimento de 1% do Orçamento de Estado em cultura.
André Pestana é um de três candidatos descriminados (juntamente com Manuel João Vieira e Humberto Correia, todos com candidaturas independentes) no que à cobertura de campanha diz respeito, por não ter tido oportunidade de participar nos debates televisionados, e no grande debate na rádio, que decorreram ao longo do mês de Dezembro.
Não obstante, Pestana foi entrevistado pela SIC Notícias a 20 de Dezembro e, hoje, dia 5 de Janeiro, participou num debate a 3 com os candidatos Manuel João Vieira e Humberto Correia, na Antena 1 (links a amarelo).
André Pestana representa uma candidatura enraizada no ativismo social e sindical, com ênfase na defesa dos trabalhadores, na justiça social e na crítica às desigualdades económicas e sociais. A sua trajetória e discurso refletem valores associados à crítica social e à reivindicação de mudanças profundas no modo como a sociedade portuguesa distribui oportunidades e recursos.
Para aqueles que quiserem saber mais sobre a candidatura de André Pestana, partilho o site do candidato: www.andrepestana.pt

Continuem a acompanhar esta série de crónicas sobre as Presidenciais 2026 para conhecerem os restantes candidatos.
O próximo visado será André Ventura.

