Nos últimos meses, a narrativa da insegurança tem sido amplificada por alguns meios de comunicação e certos grupos políticos, insistindo que Portugal está a mergulhar num caos criminal, supostamente impulsionado por uma imigração descontrolada. Mas, quando olhamos para os números, a história é bem diferente.
Os dados oficiais mostram que, apesar de um aumento da criminalidade em 2022 e 2023 (face aos anos atípicos da pandemia), os números continuam abaixo dos registados entre 2002 e 2013. Além disso, Portugal mantém-se entre os países mais seguros do mundo, ocupando em 2024 o 7º lugar no Global Peace Index.
Curiosamente, quando falamos de crimes violentos e organizados, a imigração surge como bode expiatório, enquanto as manchetes apontam noutra direção: claques de futebol, compostas maioritariamente por cidadãos nacionais, acumulam processos por homicídio, tráfico de droga, violações e atentados contra a liberdade de expressão.
Se queremos falar de segurança, falemos a sério. Mas talvez seja mais útil focar na realidade do que insistir numa ficção conveniente.