As Crónicas de Nárnia: A Viagem do Caminheiro da Alvorada – C.S. Lewis

Mais um ano (1952) e mais uma incursão ao continente encantado de Nárnia, a terceira, depois da famosa estreia em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (1950) e O Príncipe Caspian (1951).
Este terceiro volume é um ponto de viragem na série, em que o autor não se inibe de cortar com a estrutura e estilo apresentados nos livros anteriores, abrindo espaço para maior inovação e crescimento, não só dos personagens, mas do próprio mundo mágico que criou.
Desde já confesso que, dos três, este foi o de que mais gostei.
Lewis encheu-o de aventura e mistério, ingredientes que me mexem com os botões do entusiasmo.
Mas vamos por partes. Como anunciado no fim do segundo volume, Peter e Susan, por serem demasiado velhos, não mais voltarão a Nárnia, deixando como protagonistas desta nova visita ao continente mágico, Edmund, Lucy e o primo de todos eles, o estreante Eustace.
A estes juntar-se-ão ilustres nativos como Caspian, rei de Nárnia (agora sob o epíteto Caspian X), e Reepicheep, líder dos ratos falantes e exímio espadachim, aliados e amigos dos irmãos Pevensie.
Os Narnianos estão a meio de uma empreitada arriscada: uma missão simultaneamente de resgate e de exploração marítima.
Sete capitães, os seus barcos e tripulações desapareceram no grande mar a oriente de Nárnia, e Caspian jurou durante a sua coroação encontrá-los ou, se impossível, pelo menos descobrir-lhes a sorte.
Sem querer entrar em detalhes que privem da descoberta quem ainda não leu e quer ler, digo-vos que, ao bom estilo de Nárnia, os protagonistas terão que enfrentar fartura de desafios, quer mundanos, quer metafísicos.
As piores características dos homens, as falhas mais fétidas dos próprios protagonistas, maldições, pragas, criaturas mágicas, medo, fome e incerteza, são algumas das provações que os intrépidos marinheiros terão que superar na sua viagem sempre para leste, além das terras conhecidas, onde os mapas acabam e se estende a terra de Aslan, o leão.
Se o escorbuto e a falta de água não vos apanhar primeiro, encontramo-nos numa qualquer ilha encantada (ou será amaldiçoada? Nunca sei…), perdida num mar de águas cristalinas, onde tritões pastam peixes, como os homens, ovelhas.
Boas leituras e cuidado com quadros que salpiquem! Dá-vos cabo dos soalhos!

P.S.: Abaixo partilho os trailers de duas adaptações, televisiva (1989, da BBC) e cinematográfica (2010, da 21st Century Fox).

