
Slaughterhouse Five – Kurt Vonnegut
A minha mais recente leitura, acabada já em Fevereiro, foi “Slaughterhouse Five” (Matadouro Cinco, na tradução Portuguesa) do escritor Americano Kurt Vonnegut.
Não é a primeira vez que escrevo sobre livros de veteranos de guerra, mas as semelhanças entre esta obra de ficção e a do “nosso” António Júlio Rosa, terminam nesse facto.
Vonnegut combateu e sobreviveu, por pouco, à 2ª guerra mundial, sendo capturado pelas forças nazis e transportado num comboio de morte até Dresden, cidade Alemã que seria arrasada por bombardeamentos aliados, meses depois.
Este livro, no entanto, não é nem biográfico, nem de memórias. É antes, uma das obras de ficção mais inconvencionais e munidas de sarcasmo que me passaram pela vista.
A premissa é-nos apresentada na primeira linha: “Billy Pilgrim tornou-se volúvel no tempo”.
Daquelas coisas que acontecem quando não se anda agasalhado. E em 1969 (ano da publicação), como hoje, não havia vacina ou tratamento para esta condição.
Assim, acompanhamos a vida de Billy Pilgrim numa ordem caótica e aleatória, na qual não estamos habituados a experienciar o tempo (ou as narrativas), e que nos leva pelos altos e baixos da vida de Billy, entre os quais a sua própria experiência da 2ª guerra mundial, a sua infância, morte, casamento e peripécias da velhice, crescimento dos filhos, rapto por extraterrestres… enfim, fartura de acidentes e doses generosas de inesperado.
O livro tem, na versão que li, 199 páginas, pelo que é de cintura modesta e muito boa leitura.
Recomendo a quem tenha gosto por obras de ficção, sem preconceito pelas que misturam real e surreal com laivos de drama, romance, humor e sarcasmo bem ácido.
Boa semana e boas leituras nestes meses frios!

P.S.: Matadouro Cinco, inspirou um filme com o mesmo nome, de Valerie Perrine, lançado em 1972, cujo trailer partilho abaixo.

