Rumo a Belém: Manuel João Vieira, o artista que usa a campanha para criticar o absurdo da política

Manuel João Vieira nasceu na cidade de Lisboa, em 1962. Na sua mocidade cursou ilustração na Fundação Calouste Gulbenkian, e mais tarde licenciou-se em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
Nos anos 80 foi membro fundador da Homeostética, um movimento artístico que defende a subversão das normas artísticas tradicionais, a liberdade criativa absoluta, a desconstrução dos discursos de poder, e que baseia a sua estética no excesso, ironia, absurdo, erotismo e choque como formas legítimas de expressão.
Ainda na década de 80 cria os Ena Pá 2000, banda singular no panorama musical Português, caracterizada pelo seu humor nonsense e pelo arrojo de letras e figurino. Na década de 90 junta ao seu reportório musical, os não menos exóticos Irmãos Catita. Já em 2010 completa-se esta trindade de projetos musicais com o lançamento do álbum de estreia dos Corações de Atum.
Em 2008 lança na RTP uma série documental, de seis episódios, intitulada Mundo Catita, em jeito de autobiografia ficcionada.
Além da actividade artística na música e na pintura, Manuel João Vieira é empresário, actual proprietário do bar Titanic Sur Mer, no Cais do Sodré, em Lisboa.
Vieira é também professor na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, do Instituto Politécnico de Leiria.
Em campanha eleitoral para as Presidenciais 2026 Manuel João Vieira prometeu fado e leitão servidos no Palácio de Belém, se for eleito, e mostrou preocupação com o facto da política se ter apalhaçado e perdido seriedade.
Somando a estas ideias, Vieira promete, em caso de ganhar a eleição:
– Dar um Ferrari a cada português;
– Vinho canalizado em todas as casas;
– Construção de uma nova capital, Vieirópolis, no centro geodésico do país;
– A proibição absoluta de todas as doenças;
– Rendimento mínimo obrigatório de 5000€ para cada português;

A par de André Pestana e Humberto Correia, ambos candidatos independentes, também Manuel João Vieira se viu descriminado quanto à quantidade de tempo de antena a que as suas campanhas tiveram direito, quando comparados com os restantes 8 candidatos. Assim, Vieira não teve oportunidade de fazer parte dos debates frente-a-frente, na televisão, nem no grande debate a 8 na rádio. Contudo, Manuel João Vieira foi entrevistado pela SIC Notícias, participou num debate a 3 com os candidatos André Pestana e Humberto Correia, na Antena 1, e no único debate que juntou os 11 candidatos, na RTP (links a amarelo).
Manuel João Vieira tem um site de campanha, que os interessados podem visitar em: www.vieira2026.com/
A candidatura de Vieira distingue-se das demais por apresentar uma crítica explícita à política convencional e às elites partidárias, satirizando como os seus intervenientes se apresentam e comportam no contexto eleitoral. De acordo com o seu perfil artístico e altamente criativo, Manuel João Vieira, apresenta na forma de uma candidatura presidencial legítima, um protesto e provocações deliberadas, capazes de gerar tanto riso como reflexão, sobre as práticas e actores ligados ao cartel partidário que domina a cena política, a alienação cívica, e o fomento de opiniões e mentalidades antidemocráticas por parte de partidos políticos e da comunicação social.
Para quem ainda não tem a certeza do porque deve votar e quais as obrigações e poderes do Presidente da República, recomendo a primeira crónica desta série.
Recomendo também, que dá saúde, seguirem o Maravilhoso Mundo D’ (aqui e no Tik Tok)!
Amanhã farei um artigo comparativo, no qual junto a informação de todos os candidatos, para facilidade de consulta.


