
Homens imprudentemente poéticos – Valter Hugo Mãe
Acabei de ler “Homens imprudentemente poéticos” de Valter Hugo Mãe…
Antes de mais dizer, vou confessar-vos não ser o maior fã. Do escritor, que o homem desconheço.
Li, antes deste, “Contra Mim”, obra que achei francamente desinteressante, não obstante a qualidade da escrita.
Deixo claro que o que me aborrece na escrita de Valter Hugo é razão pela qual outros poderão adorá-la: questões estilísticas.
Valter Hugo é, no que à escrita diz respeito, um mestre, sem pudor o digo. Manieta tão bem a palavra escrita como Itaro, o artesão, os seus leques, e não custa entender os elogios que lhe deixou José Saramago, pela sua habilidade com a arte.
O que já me saltara à vista, e que se repetiu nesta leitura, é uma tendência, para o meu gosto excessiva, de poetizar (sem desprimor por essa nobre arte) a palavra na prosa narrativa.
Frases bonitas cujo significado ilude (se por serem dele desprovido, se pela minha sensibilidade ou formação ser insuficiente para o captar, fica por apurar) e que não acrescentam, nem avançam a narrativa, abundam. E com franqueza e sem maldade, aborrecem-me.
Principalmente por isso, o primeiro terço deste livro, que não é longo, foi leitura sofrida, menos pelo ritmo de passeio cénico com que avança, mas pelo tédio que me gerou tanto uso de berloques.
E é pena. Valter Hugo cria, de modo muito interessante, uma pequena aldeia do Japão rural, cheia de mística e cujos personagens, ainda que algo estereotipados nas suas virtudes e defeitos, passam por autênticos.
A relação entre aquela humilde civilização e o domínio natural/divino, assim como a simbologia associada, é deveras interessante e bem conseguida.
Já o desenvolvimento dos protagonistas, mais que lento, afigura-se chato, pelo uso excessivo de ornamentos, a meu ver estéreis, que só bem para lá da metade, em reclusão, dez alturas abaixo da superfície da terra, permitem apreciar a beleza que a história efectivamente tem.
Uma leitura algo agridoce, pareceu-me. Uma história interessante, num mundo bem construído, mas cujo o estilo de prosa excessivamente poética me fez, a tempos, forçar o progresso à base de casmurrice, ao invés de por prazer em ler.
Para aqueles que melhor conhecem o autor, pergunto-vos o que recomendam para quem quer dar mais uma hipótese à obra deste escritor Luso, inegavelmente talentoso e capaz, mas cujo estilo não me satisfaz, por aí além, as medidas?
Obrigado a todos e boa semana.

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