Astérix na Lusitânia – Fabcaro/Didier Conrad

Lançado no auspicioso dia no qual celebro o meu aniversário, os deuses (sabem muito) favoreceram o transporte deste mais recente livro dos irredutíveis gauleses até aos meus braços.
Pio que sou, agradeci a dádiva e, qual garoto, fiquei ansiosamente à espera da hora de me ir deitar para me poder dedicar ao consumo de tão apreciada guloseima.
Fi-lo, já não às escondidas, mas com um prazer que me remeteu para a minha infância e para as dezenas de aventuras de Astérix e Obélix que acompanhei ao longo dos anos.
Nem tudo é igual, mas quer a companhia, quer o destino (quem é que não aprecia um passeio à beira-mar, pela formosa Lusitânia) valem a pena.
Os traços já não são os de Uderzo, nem tampouco os textos de Goscinny, mas Fabcaro e Conrad carregam a tocha com arte e engenho que em nada envergonharia os mestres.
Claro que aos leitores mais antigos fará sempre alguma confusão a mudança de nome da esmagadora maioria dos gauleses, algo que se estende desde que a Edições ASA adquiriu os direitos da coleção, em 2005, mas feliz ou infeliz, essa alteração em nada afecta o valor da obra, nem remove os méritos da manutenção do espírito audaz e galhofeiro das aventuras de Astérix, o Gaulês.
Em 50 a.C., como em 2025 A.D., o expansionismo desenfreado causa sem número de quezílias, injustiças e problemas de toda a ordem. Empurrado por estes infortúnios, um pequeno lusitano portador de farto bigode embarca em direção à Gália, província toda ela ocupada pelos romanos… Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses resiste ainda e sempre ao inv… e está-se mesmo ver a que porta é que ele foi bater para pedir ajuda contra os invasores, não está?
Assim, Astérix, Obélix e Idéfix (Ideiafix para os leitores pós-2005) juntam-se a Tristês, o lusitano, para tentar impedir a execução indevida de um autóctone, na pitoresca cidade de Olisipo.
Em terras lusitanas, os heróis deparam-se com um povo subjugado pela hegemonia romana, mas resistente nos seus modos, cultura e convicções.
De facto, não faltam expressões idiomáticas, bigodes, peixe (para desgosto de Obélix que ressaca de javali), melancolia, azulejos e fado.

Tudo o mais é história bem urdida, em que caracterização e caricaturização andam de mãos dadas, com gordos toques de indolência, os quais não resisto a admirar.
Sem largar mais detalhes que vos estraguem o prazer da descoberta, partilho que, como não podia deixar de ser, há direito a um grande banquete de celebração, onde os únicos lamentos são os dos mamíferos ungulados e de um bardo muito, muito peculiar.
Se já leste esta novíssima aventura de Astérix, diz-me o que achaste nos comentários.
Boas leituras!
P.S.: Porque é do mesmo universo e bastante divertido de ver, sugiro, a graúdos e miúdos que se pelem pelas aventuras do pequeno gaulês, verem a recente série de animação da Netflix (2025) Astérix&Obélix: O Combate dos Chefes. Partilho o trailer, abaixo.

